Mirada da Poeta (100x70)
Hoje vi um menino na primeira hora. Nascia para a vida como o sol que há pouco surgira na praia. Minutos mágicos de coração se sabendo batente, de embevecimento. Naquele lugar pureza cheirava como café fresquinho. Era um menino comum, bonito na medida. Vestia-se de forma organizada, blusa ensacada, bem cuidado, uns 9 anos. Ajudava sua mãe que trabalha num café. A insegurança do não saber e o prazer de ainda assim fazer são o amor, por isso a paixão, ou com-paixão que em mim despertou. Encantou-me o instante da delicadeza não sabida, tão sabiamente vivido por ele. O privilegio de ser servida pela inocência. Ao trazer croissants e chás sabia devorar a insegurança com a alegria pueril de estar sendo. Exibia gestos medrosos e fortes com candura. Ao lado do homem que amo sou aquele menino. Trago amor e ternura com mãos trêmulas. Há destino? Também vou e venho contente, como o menino. O pequeno, mais que eu, é plenitude. Faz-se aconte-ser. Eu, não. Sei. Ou não sei. Eis a questão.
Vera Xavier Pinto.
16 de julho de 2008.
16 de julho de 2008.
